A preferência é do pedestre! A importância de quem vai a pé

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Você já parou para pensar que todas as pessoas são pedestres em algum momento? Andar a pé é a forma mais básica e também mais importante da mobilidade. Até quem normalmente se locomove de carro precisa caminhar às vezes – mesmo que seja somente até os estacionamentos. Se essa é a forma primária de locomoção (e a única que não gera custos!), não é estranho perceber que os pedestres são desvalorizados quando se trata do planejamento da mobilidade?



Prioridade

A legislação sempre menciona que pedestres devem ter prioridade, mas na realidade das ruas não é bem assim que funciona. Afinal, o que precisa ser feito?

A infraestrutura para quem anda a pé é formada principalmente por calçadas e travessias, e é necessário pensar estes dois elementos como uma rede por onde as pessoas se deslocam na cidade.

Travessias

Travessias devem ser pensadas levando sempre em consideração o conceito de “linha do desejo”.

Pedestres se movem usando a própria energia, então tendem a buscar sempre o caminho mais curto para chegar a seus destinos – esse caminho mais curto é o que chamamos de linha do desejo.

É por isso que as faixas de pedestres devem ser pouco extensas e posicionadas próximas umas das outras, evitando caminhos prolongados.

O recurso de passarelas como forma de travessia deve ser usado somente em locais onde atravessar é impossível. Ainda segundo a linha de desejo, pedestres devem ter sempre o direito de fazer o trajeto que exige menos esforço para cruzar as ruas: o caminho mais plano e mais curto, ao nível da rua.

Calçadas

Problemas com as calçadas envolvem as secretarias de obras ou de infraestrutura dos municípios. Isso acontece porque, embora calçadas sejam parte importante da mobilidade urbana, a legislação sobre sua implantação ou manutenção é vaga e a responsabilidade sobre essas questões costuma ser repassada a quem detém a propriedade dos lotes – a Prefeitura apenas fiscaliza.

Segurança

Além de ser a forma mais primária de locomoção, andar a pé é também a mais vulnerável. Para que haja igualdade de condições no trânsito, quem anda a pé precisa ter sua sua segurança garantida, ganhando prioridade na gestão e na implantação da mobilidade.

Não podemos aceitar que pedestres sejam as maiores vítimas do trânsito nas grandes cidades. Existe claramente a tentativa de naturalizar essas mortes, como se fossem comuns ou resultados inevitáveis de acidentes de trânsito. Na verdade, elas acontecem principalmente porque o trânsito é extremamente perigoso, mal planejado e mal fiscalizado. A priorização de pedestres é uma luta urgente para conquistar uma mobilidade urbana melhor e mais igualitária.